| Foto: Jorge Eduardo Diehl |
Em entrevista ao blog, Nishiyama fala sobre suas inspirações, a origem do Butoh em sua vida e suas apresentações com Ana Medeiros. Leia a íntegra:
O que existe de mais belo na arte de dançar Butoh? Por que as pessoas devem conhecer essa dança?
Existe a beleza da tranquilidade no Butoh. As pessoas devem conhecer essa dança para compartilhar da felicidade de poder sentir cada movimento do corpo. O que habita o Butoh é uma alegria sem fim.
Como se deu o seu primeiro contato com o Butoh?
Meu melhor amigo insistiu muito e fui assistir a um espetáculo de Kazuo Ohno. Assustei-me, me deparei com uma dança que transbordava liberdade de movimento. Fiquei surpreso e com muita vontade de dançar. A dança de Kazuo Ohno me deixou maravilhado e pensei que realmente havia encontrado o que estava procurando. Logo comecei a praticar.
Quais são as suas lembranças mais carinhosas de Kazuo Ohno? O que ele lhe ensinou de mais importante?
Sobre o ensinamento de Kazuo Ohno. A lembrança mais forte é de quando tive aula individual com ele. Certa vez, estava recebendo uma sequência de “nãos” , pensei: hoje não consigo fazer nada. Ele me xingou rebatendo: “se não fizer hoje, quando o fará?” Foi então que ao final de uma prática, ele disse: “vamos passar para a sala de treinamento de baixo”, e fomos para a sua cozinha. Ele me ensinou que as coisas do nosso cotidiano também são um treinamento, como o cozinhar.
E com Yoshito Ohno? Como é a sua vivência com ele até os dias de hoje?
As aulas com o professor Yoshito Ohno são o alicerce da minha dança, o meu tudo. Chego a pensar que não deve haver outro tipo de treino mais rico, ou melhor. O treino em si, já me traz uma satisfação, uma realização infindável.
Quais foram as suas apresentações mais marcantes ao longo desse tempo dançando Butoh? Por quê?
A apresentação mais marcante foi a do Brasil ano passado. Ali foi o início da minha dança, do meu tudo. Estou numa expectativa para saber que tipo de dança ainda está por vir.
Quando você dança Butoh o que você sente? Que tipo de experiência você gostaria de levar da sua vida aos palcos?
Sinto que quando danço, é quando estou feliz. É quando o meu corpo e minha alma se unem. Tenho um pouco de vergonha em falar isso, mas gostaria de passar para o público que é o espaço em que o amor brota.
Que conselho daria para quem quer começar a dançar Butoh?
Sinta o seu corpo, encontre o seu corpo, e nesse momento mova-se com o mínimo esforço e sinta esse movimento. Sem esperar algo, sem nenhuma expectativa, experimente esse momento em que corpo e mente se encontram.
Como é trabalhar com a Ana Medeiros? Como você enxerga o trabalho dela de celebrar o butoh no mundo ocidental?
Percebo que depois que conheci a Ana Medeiros nossas energias amadureceram. Sinto que novas danças virão e isso me deixa muito feliz.
Sobre o espetáculo “Caminhos Pelos Quais”, você compartilha o palco com Ana Medeiros, mas para você Nishiyama san, o que esse projeto tem de especial?
Respondendo a essa ultima questão: o espetáculo “Caminhos Pelos Quais” é o pré-início, começo de tudo; cujo em um plano submerso, esse projeto já se iniciou.